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Obrigatoriedade de Exame Toxicológico para Motoristas das Categorias "C", "D" e "E": Interpretação Jurídica e Impactos no Trânsito

Publicado em: 14/02/2025 AdministrativoConstitucional
A decisão do STJ esclarece que a exigência de exame toxicológico de larga janela de detecção, prevista no artigo 148-A do CTB, é vinculada à categoria de habilitação e não à atividade profissional do motorista. Baseada no princípio da segurança pública (art. 144 da CF/88), a norma busca prevenir acidentes e garantir a segurança viária, especialmente para veículos de grande porte. O estudo destaca a fundamentação constitucional, legal e doutrinária, além de analisar os desafios práticos relacionados à implementação da medida, como custos e acessibilidade.

TESE

A obrigatoriedade de apresentação de resultado negativo em exame toxicológico de larga janela de detecção para motoristas que desejem obter ou renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), nas categorias "C", "D" e "E", é vinculada exclusivamente às categorias de habilitação, e não à atividade profissional desempenhada pelo condutor. Tal exigência fundamenta-se nas características e nas finalidades dos veículos que integram essas categorias. (Link para o acórdão: Acórdão 220.6151.1183.5909)

UM ESTUDO DOUTRINÁRIO

A doutrina de Direito de Trânsito tem destacado a importância de medidas preventivas que busquem garantir a segurança no tráfego rodoviário. A exigência de exame toxicológico em larga janela de detecção, prevista no CTB, é vista como uma ferramenta essencial para fiscalizar o uso de substâncias psicoativas, que afetam diretamente a capacidade de condução de veículos de grande porte. Doutrinadores como José dos Santos Carneiro defendem que essas medidas se alinham ao princípio da segurança pública, previsto no art. 144 da CF/88, e ao dever do Estado de proteger a coletividade contra riscos inerentes ao trânsito.

UM COMENTÁRIO EXPLICATIVO

A decisão do STJ esclarece uma controvérsia importante: a obrigatoriedade do exame toxicológico não está condicionada à natureza da atividade profissional exercida pelo condutor (como o transporte escolar), mas sim ao tipo de habilitação requerida. Essa interpretação reforça o caráter objetivo da norma contida no artigo 148-A do CTB, que prioriza a segurança viária em razão das especificidades dos veículos das categorias "C", "D" e "E". O entendimento uniformiza a aplicação da lei e elimina interpretações subjetivas que poderiam comprometer a segurança no trânsito.

FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL

CF/88, art. 144 – A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

FUNDAMENTO LEGAL

CTB, art. 148-A – Regulamenta a obrigatoriedade de exames toxicológicos de larga janela de detecção para condutores habilitados nas categorias "C", "D" e "E".

SÚMULAS APLICÁVEIS

Não foram identificadas súmulas diretamente aplicáveis ao caso em análise.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A decisão do STJ possui significativa relevância no âmbito jurídico e social, consolidando o entendimento sobre a interpretação do artigo 148-A do CTB. Essa uniformização jurisprudencial reforça o papel preventivo da legislação de trânsito e promove maior segurança jurídica para motoristas e órgãos fiscalizadores. No plano prático, a decisão pode gerar reflexos importantes, como o incentivo a uma fiscalização mais rigorosa e a consequente redução de acidentes envolvendo veículos de grande porte. Contudo, é necessário observar os desafios relacionados à implementação e à acessibilidade dos exames toxicológicos, especialmente em áreas remotas do país, o que pode demandar ajustes legislativos ou administrativos.

ANÁLISE CRÍTICA

Do ponto de vista jurídico, a decisão do STJ apresenta fundamentos sólidos e uma argumentação coerente com os objetivos traçados pelo legislador ao instituir o exame toxicológico no CTB. O acórdão promove uma interpretação sistemática e teleológica da norma, vinculado à proteção da coletividade e à segurança no trânsito. No entanto, do ponto de vista prático, os custos e a logística para a realização do exame podem representar um entrave para motoristas autônomos, especialmente os que atuam em regiões periféricas. Assim, embora a decisão seja juridicamente adequada, ela exige uma reflexão legislativa sobre a viabilidade econômica e operacional da norma, a fim de garantir sua efetividade sem comprometer a inclusão social de condutores profissionais.


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