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Análise Jurídica da Decisão do STJ sobre a Aplicação de Causa de Aumento de Pena em Razão do Uso de Arma Branca Impropria

Postado por legjur.com em 30/03/2025
Este documento apresenta uma análise jurídica detalhada sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que manteve o entendimento de que objetos não fabricados como armas, mas usados com potencial lesivo, podem configurar armas brancas impróprias para fins de aplicação da causa de aumento de pena prevista no Código Penal (art. 157, §2º, VII). A decisão dispensa a perícia técnica, fundamentando-se na livre apreciação das provas pelo magistrado, conforme o CPC/2015, art. 371, e no princípio da celeridade processual. O texto analisa os fundamentos jurídicos, as consequências práticas e jurídicas, além de refletir sobre os limites e riscos dessa flexibilização.

Doc. LEGJUR 250.2280.1633.0266

STJ Roubo majorado. Emprego de arma branca. Cabo de vassoura. Arma branca imprópria. Desnecessidade de perícia. Comprovação da sua utilização na ação criminosa por outros meios de prova. Possibilidade. Apreensão e perícia. Desnecessidade. Recurso especial desprovido. Direito penal. Agravo em recurso especial. CP, art. 157, § 2º, VII.

I - Caso em exame ... ()


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Análise Jurídica da Decisão do STJ sobre a Aplicação de Causa de Aumento de Pena em Razão do Uso de Arma Branca Impropria

Comentário/Nota

COMENTÁRIO JURÍDICO SOBRE A DECISÃO DO STJ

INTRODUÇÃO

A decisão em análise trata da aplicação da causa de aumento de pena prevista no CP, art. 157, §2º, VII, em razão do uso de arma branca imprópria durante a prática de roubo. O ponto central do julgamento reside na possibilidade de reconhecimento da arma branca, mesmo sem a realização de perícia técnica para aferir sua lesividade, com base em outros meios de prova. Este comentário abordará os fundamentos jurídicos da decisão, sua coerência com o ordenamento jurídico e as consequências práticas e jurídicas dela decorrentes.

FUNDAMENTOS JURÍDICOS DA DECISÃO

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o entendimento de que a utilização de um objeto, mesmo que não fabricado como arma, pode configurar arma branca imprópria, desde que demonstrado seu potencial lesivo. Destaca-se que a decisão está alicerçada na jurisprudência consolidada do STJ, que permite ao juiz basear-se em outros meios de prova, como depoimentos testemunhais, para atestar a lesividade do objeto, dispensando, portanto, a perícia técnica.

Tal entendimento reforça o princípio da livre apreciação das provas pelo magistrado, conforme previsto no CPC/2015, art. 371, e encontra respaldo na interpretação extensiva do CP, art. 157, §2º, VII. A dispensa da perícia decorre do fato de que sua realização nem sempre é possível nas circunstâncias do crime, especialmente em crimes cometidos de maneira rápida ou em locais de difícil acesso.

ARGUMENTAÇÃO E ANÁLISE CRÍTICA

De forma objetiva, a decisão reconheceu o cabo de vassoura de alumínio como arma branca imprópria, com base em depoimentos que comprovaram seu uso para exercer violência e grave ameaça contra as vítimas. Embora esse entendimento seja coerente com a jurisprudência do STJ, cabe destacar que a ausência de perícia pode gerar questionamentos quanto à segurança jurídica, especialmente em casos em que os relatos testemunhais sejam contraditórios ou insuficientes.

Por outro lado, a decisão contribui para a celeridade processual, evitando a necessidade de perícias em objetos cuja lesividade pode ser presumida a partir de outros elementos probatórios. Contudo, é necessário que essa flexibilização seja aplicada com cautela, sob pena de comprometer o direito de defesa do acusado, garantido pela CF/88, art. 5º, LV.

CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS E JURÍDICAS

A decisão reafirma que instrumentos não fabricados como armas podem ser equiparados a armas brancas, desde que utilizados de maneira a causar potencial lesivo. Essa interpretação amplia o alcance do CP, art. 157, §2º, VII, o que pode contribuir para maior rigor na repressão penal em crimes violentos. No entanto, é essencial que os magistrados analisem de forma criteriosa as circunstâncias do caso concreto, considerando o risco de abuso na aplicação dessa tese.

Além disso, a dispensa da perícia pode gerar repercussões em outras áreas do Direito Penal, abrindo precedentes para que objetos comuns, como pedras ou paus, sejam considerados armas brancas, o que pode impactar no cálculo das penas e na classificação dos crimes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A decisão do STJ, ainda que coerente com a jurisprudência vigente, suscita importantes reflexões sobre os limites da interpretação judicial e a necessidade de harmonizar a busca por eficiência processual com a garantia dos direitos fundamentais dos acusados. A flexibilização quanto à exigência de perícia técnica deve ser utilizada com parcimônia, para evitar interpretações arbitrárias ou abusivas.

Por fim, o precedente reafirma a importância de analisar o contexto probatório de forma ampla e detalhada, especialmente em crimes envolvendo violência e grave ameaça. É provável que essa decisão influencie julgados futuros, consolidando ainda mais o entendimento de que o potencial lesivo de objetos pode ser demonstrado por meios diversos da perícia, desde que respeitados os princípios constitucionais e processuais aplicáveis.


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