Jurisprudência em Destaque
Análise Jurídica da Decisão do STJ Sobre a Classificação do FGTS como Crédito Trabalhista Prioritário em Recuperação Judicial
Doc. LEGJUR 250.2280.1479.1284
1 - A jurisprudência do STJ é no sentido de que o FGTS é direito social dos trabalhadores urbanos e rurais, constituindo, pois, fruto civil do trabalho. Assim, os valores relativos à rescisão do contrato de trabalho, especificamente em relação ao FGTS, têm natureza trabalhista, devendo, também, ser classificados, no processo de Recuperação Judicial e falência, como crédito prioritário trabalhista, nos termos da Lei 11.101/2005. ... ()

Comentário/Nota
ANÁLISE JURÍDICA DA DECISÃO DO STJ
INTRODUÇÃO
A presente análise jurídica aborda o acórdão proferido pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reafirmou a classificação do FGTS como crédito prioritário trabalhista, no contexto de recuperação judicial, com fundamento na Lei 11.101/2005, art. 41, I. Trata-se de um agravo interno interposto por T. N. F. Ltda. e T. e L. Ltda., ambas em recuperação judicial, contra decisão que havia negado provimento a recurso especial. O relator do caso foi o Ministro R. A., e o julgamento ocorreu em sessão virtual.
FUNDAMENTOS JURÍDICOS DA DECISÃO
A decisão baseou-se na interpretação da Lei 11.101/2005, art. 41, I, que confere aos créditos trabalhistas prioridade no âmbito da recuperação judicial e falência. A Quarta Turma do STJ, ao considerar o FGTS como direito social dos trabalhadores, conforme preconizado na CF/88, art. 7º, III, reafirmou que tal crédito possui natureza trabalhista e, portanto, é classificado como prioritário em processos de recuperação judicial.
A aplicação da Súmula 83/STJ foi outro ponto relevante. Essa súmula estabelece que não se conhece recurso especial quando a decisão recorrida está em conformidade com jurisprudência consolidada do STJ. Nesse sentido, a Turma reconheceu que o entendimento aplicado no caso está alinhado com precedentes da Corte.
CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS E JURÍDICAS
O reconhecimento do FGTS como crédito prioritário trabalhista tem implicações significativas no âmbito da recuperação judicial. Primeiramente, reforça a proteção aos direitos dos trabalhadores, assegurando que os valores devidos a título de FGTS sejam pagos preferencialmente em detrimento de outros credores. Essa interpretação também promove maior segurança jurídica, já que consolida o entendimento jurisprudencial sobre a matéria.
Por outro lado, a decisão pode gerar críticas de credores não trabalhistas, como instituições financeiras, cujos créditos possuem menor prioridade. Em situações de recuperação judicial, em que os ativos da empresa são limitados, a classificação prioritária do FGTS pode impactar negativamente a satisfação de outros créditos.
CRÍTICA À DECISÃO
Embora a decisão esteja em consonância com a jurisprudência consolidada do STJ e com os princípios constitucionais de proteção ao trabalhador, algumas críticas podem ser feitas. A interpretação que concede ao FGTS a natureza de crédito trabalhista prioritário pode ser vista como uma extensão além do que originalmente previsto na Lei 11.101/2005. Tal entendimento, embora benéfico aos trabalhadores, pode gerar desequilíbrios no tratamento de credores em processos de recuperação judicial, especialmente considerando que o FGTS não decorre diretamente de prestação de serviços, mas sim de obrigação acessória do empregador.
Ademais, a utilização da Súmula 83/STJ, embora procedente, limita o debate jurídico acerca da questão, impedindo que eventuais nuances do caso concreto sejam analisadas mais profundamente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A decisão analisada reforça a posição do STJ no sentido de assegurar aos trabalhadores a prioridade na recuperação judicial, alinhando-se aos preceitos constitucionais e à legislação infraconstitucional. Contudo, a classificação do FGTS como crédito trabalhista prioritário exige reflexão sobre os impactos no equilíbrio entre os diversos interesses envolvidos no processo de recuperação judicial.
Assim, é esperado que o entendimento consolidado contribua para maior previsibilidade no tratamento dos créditos na recuperação judicial, ao passo que pode suscitar debates futuros sobre a compatibilização entre a proteção aos trabalhadores e a preservação das empresas em crise.
Outras notícias semelhantes

Decisão do STJ sobre Ação de Despejo e a Recuperação Judicial: Competência, Limites da Lei nº 11.101/2005 e Consequências Jurídicas
Publicado em: 24/03/2025 CivelProcesso Civil Comercial Empresa Direito ImobiliárioAnálise detalhada da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre recurso especial envolvendo o Condomínio Civil do Shopping Center Conjunto Nacional Brasília e a Starbucks Brasil Comércio de Cafés Ltda. A decisão aborda a competência jurisdicional, os limites da recuperação judicial em obrigações locatícias e a inaplicabilidade da suspensão automática da Lei nº 11.101/2005 a ações de despejo. O documento examina as consequências práticas e jurídicas, destacando a proteção aos locadores, a boa-fé contratual e a restrição ao uso abusivo da recuperação judicial para inadimplementos.
Acessar
Análise Jurídica da Decisão do STJ sobre Meação de Crédito em Regime de Comunhão Universal de Bens
Publicado em: 20/03/2025 CivelProcesso Civil Comercial Empresa Direito Imobiliário Civel Familia SucessãoEste documento apresenta um comentário jurídico detalhado sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que assegurou o direito à meação de crédito decorrente de expurgos inflacionários em cédula de crédito rural, firmado sob o regime de comunhão universal de bens, mesmo após a separação judicial. A análise abrange aspectos processuais, como a aplicação da Súmula 7/STJ, e fundamentos materiais, incluindo o princípio da comunicabilidade dos bens e a vedação ao enriquecimento sem causa. Além disso, o texto aborda as consequências práticas e jurídicas da decisão e oferece críticas e elogios ao posicionamento do tribunal.
Acessar
STJ Confirma Dispensa de Certidões Fiscais para Recuperação Judicial Homologada antes da Vigência da Lei 14.112/2020
Publicado em: 13/09/2024 CivelProcesso Civil Comercial Empresa Direito Imobiliário Civel Familia Sucessão EmpresaO Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou que planos de recuperação judicial aprovados antes da entrada em vigor da Lei 14.112/2020 podem ser homologados sem a apresentação de certidões de regularidade fiscal. A decisão reafirma o entendimento de que a lei não pode retroagir para impor novas obrigações, respeitando o princípio tempus regit actum. A Fazenda Nacional recorreu, alegando a necessidade das certidões para o processamento da recuperação, mas o STJ decidiu pela manutenção da dispensa, com base na legislação vigente à época da aprovação do plano.
AcessarTransforme seu escritório de advocacia com informações legais atualizadas e relevantes!
Olá Advogado(a),
Você já pensou sobre o tempo e os recursos que gasta pesquisando leis, jurisprudências e doutrinas para os seus casos? Já se imaginou otimizando esse processo de forma eficiente e segura?
Então, temos algo em comum. O LegJur foi criado pensando em você, no advogado moderno que não pode se dar ao luxo de perder tempo em um mercado tão competitivo.
Por que o LegJur é a solução que você precisa?
1. Conteúdo Atualizado: Nosso banco de dados é atualizado constantemente, oferecendo as informações mais recentes sobre legislações, súmulas e jurisprudências.
2. Fácil Acesso: Uma plataforma simples e intuitiva que você pode acessar de qualquer dispositivo, a qualquer momento. Seu escritório fica tão flexível quanto você.
3. Busca Inteligente: Nosso algoritmo avançado torna sua pesquisa rápida e eficaz, sugerindo temas correlatos e opções para refinar sua busca.
4. Confiabilidade: Nosso time de especialistas trabalha incansavelmente para garantir a qualidade e a confiabilidade das informações disponíveis.
5. Economia de Tempo: Deixe de lado as horas de pesquisa em múltiplas fontes. Aqui, você encontra tudo o que precisa em um só lugar.
Invista no seu maior capital: o tempo
Você já deve saber que o tempo é um dos ativos mais preciosos na advocacia. Utilize o LegJur para maximizar sua eficiência, oferecendo ao seu cliente uma consultoria de alto nível fundamentada em informações confiáveis e atualizadas.
Depoimentos
"O LegJur transformou a forma como faço minha pesquisa jurídica. Agora, posso concentrar-me mais no desenvolvimento de estratégias para meus casos e menos na busca de informações."
— Maria L., Advogada
Não perca mais tempo! Torne-se membro do LegJur e eleve sua prática jurídica a um novo patamar.
Faça parte da evolução na advocacia. Faça parte do LegJur.
Assine o LegJur e desfrute de acesso ilimitado a um vasto acervo de informações e recursos jurídicos! Cancele a qualquer hora.
À vista
Acesse o LegJur por 1 mês e desfrute de acesso ilimitado a um vasto acervo de informações e recursos jurídicos!
Parcele em até 3x sem juros
Equilave a R$ 39,96 por mês
Acesse o LegJur por 3 meses e desfrute de acesso ilimitado a um vasto acervo de informações e recursos jurídicos!
Parcele em até 6x sem juros
Equilave a R$ 32,48 por mês
Acesse o LegJur por 6 meses e desfrute de acesso ilimitado a um vasto acervo de informações e recursos jurídicos!
Parcele em até 6x sem juros
Equilave a R$ 24,90 por mês
Acesse o LegJur por 1 ano e desfrute de acesso ilimitado a um vasto acervo de informações e recursos jurídicos!
Parcele em até 10x sem juros