Modelo de Recurso de Apelação Penal contra Sentença Condenatória por Tráfico de Drogas com Alegação de Nulidades Processuais e Insuficiência de Provas
Publicado em: 03/07/2024 Direito PenalEXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE __________
Processo nº __________
FULANO DE TAL, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no CPP, art. 593, I, interpor o presente:
RECURSO DE APELAÇÃO PENAL
Em face da sentença condenatória proferida pelo MM. Juiz de Direito da ___ Vara Criminal, que condenou o apelante à pena de 5 (cinco) anos de reclusão e 500 (quinhentos) dias-multa, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas, requerendo seja o recurso recebido e processado, com posterior remessa ao Egrégio Tribunal de Justiça para apreciação.
PREÂMBULO
A sentença foi proferida em 01 de julho de 2024, sendo o presente recurso tempestivo, nos termos do CPP, art. 593, I, uma vez que interposto dentro do prazo legal.
DOS FATOS
O Ministério Público ofereceu denúncia contra o apelante, imputando-lhe a prática do crime de tráfico de drogas, previsto no Lei 11.343/06, art. 33, sob a alegação de que foi flagrado em sua residência com um montante de 392 kg de maconha.
O MM. Juiz de Direito proferiu sentença condenatória, baseando-se exclusivamente nos depoimentos dos policiais federais que participaram da operação. Na dosimetria da pena, não foi reconhecida a causa de diminuição de pena prevista no Lei 11.343/06, art. 33, § 4º (tráfico privilegiado), sob o fundamento de que a quantidade de droga apreendida seria suficiente para afastar tal benefício.
Contudo, a defesa entende que a sentença merece reforma, tanto em razão de nulidades processuais quanto pela ausência de provas cabais que vinculem o apelante ao crime em questão, além da aplicação equivocada da dosimetria da pena.
DO DIREITO
I. DA NULIDADE DO PROCESSO
As investigações que culminaram na denúncia foram iniciadas exclusivamente com base em denúncia anônima, o que contraria o entendimento consolidado de que a instauração de inquérito policial deve ser precedida de indícios plausíveis de materialidade e autoria, conforme o CPP, art. 5º, II.
Ademais, os policiais federais adentraram na residência do apelante sem o devido mandado judicial e sem o consentimento expresso do proprietário, violando o CF/88, art. 5º, XI, que garante a inviolabilidade do domicílio. Não há nos autos qualquer prova documental ou audiovisual que comprove o consentimento do apelante para a entrada em sua residência.
Ainda, a droga apreendida foi encontrada em uma residência vizinha à do pai do apelante, que não pertence ao mesmo, o que reforça a ausência de vínculo entre o acusado e o material ilícito. Dessa forma, restam configuradas nulidades absolutas que contaminam todo o processo, devendo ser reconhecidas e declaradas por este Egrégio Tribunal.