Modelo de Contra-Razões de Apelação em Ação Declaratória de Inexistência de Negócio Jurídico e Reparação de Danos Morais e Materiais Contra Banco Bradesco S/A
Publicado em: 16/09/2024 Processo CivilConsumidorEXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DA COMARCA DE SÃO PAULO – SP
Processo nº: 0000000-00.2024.8.26.0000
CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO
Apelada: C. da C. F.
Apelante: Banco Bradesco S/A
Nos autos da ação declaratória de inexistência de negócio jurídico cumulada com reparação de danos materiais e morais, que tramita perante este juízo, vem a Apelada, por meio de seu advogado, com fundamento no artigo 101, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e no artigo 1.010, §1º, do CPC/2015, apresentar as presentes CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO, requerendo o seu regular processamento e posterior remessa ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
PREÂMBULO
Excelentíssimo Senhor Desembargador Relator,
A presente ação foi ajuizada pela Apelada em razão de fraude envolvendo a contratação de empréstimo consignado, que resultou em descontos indevidos em seu benefício previdenciário. A sentença de primeira instância julgou parcialmente procedente a demanda, reconhecendo a inexistência do contrato e condenando o Apelante ao pagamento de danos materiais e morais, além de honorários advocatícios.
O Apelante interpôs recurso de apelação, buscando a reforma da sentença sob o argumento de culpa exclusiva da vítima e ausência de falha nos serviços prestados. Contudo, conforme será demonstrado, a sentença deve ser integralmente mantida.
DOS FATOS
A Apelada foi vítima de fraude perpetrada por terceiros que, utilizando-se de meios tecnológicos, se passaram por representantes do Apelante. Após contato via WhatsApp, os fraudadores solicitaram documentos, selfies e acesso remoto ao celular da Apelada, resultando na contratação de empréstimo consignado em seu nome, sem sua autorização ou ciência.
Os valores do empréstimo foram utilizados pelos golpistas, e a Apelada passou a sofrer descontos indevidos em seu benefício previdenciário, verba de natureza alimentar, o que lhe causou severos prejuízos financeiros e emocionais.
Na sentença de primeira instância, o juízo reconheceu a inexistência do contrato, condenando o Apelante à devolução dos valores descontados e ao pagamento de indenização por danos morais, fixada em R$ 10.000,00.
DO DIREITO
O recurso interposto pelo Apelante não merece prosperar, pelos seguintes fundamentos:
1. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO FORNECEDOR
Nos termos do CDC, art. 14, o fornecedor de serviços responde objetivamente pelos danos causados aos consumidores em decorrência de defeitos relativos à prestação dos serviços, independentemente de culpa. No caso em tela, o Apelante falhou em garantir a segurança das operações realizadas em seu nome, permitindo que fraudadores contratassem empréstimo em nome da Apelada.
Ademais, o Apelante não demonstrou a adoção de medidas eficazes para evitar a fraude, configurando-se o defeito na pr"'>...