Modelo de Impugnação à Apreensão de Mercadorias e Multa Administrativa no Valor de R$ 5.000.000,00 Perante a Receita Federal com Fundamentação Constitucional e Legal

Publicado em: 06/05/2024 Administrativo Tributário
Documento legal que apresenta impugnação administrativa contra a apreensão de mercadorias e a imposição de multa no valor de R$ 5.000.000,00 pela Receita Federal. Trata-se de um pedido fundamentado nos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e legalidade, além de disposições do Código Tributário Nacional (CTN) e precedentes jurisprudenciais. Os requerentes, motoristas autônomos e declarados pobres na forma da lei, buscam a anulação da penalidade ou, subsidiariamente, a redução proporcional da multa, considerando sua condição financeira e a inexistência de dolo ou má-fé. O documento também solicita a concessão da justiça gratuita e a realização de audiência de conciliação, caso seja cabível.

IMPUGNAÇÃO À APREENSÃO DE MERCADORIAS E MULTA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO

PREÂMBULO

Excelentíssimo Senhor Delegado da Receita Federal do Brasil,

R. J. dos S. e M. F. da S., brasileiros, motoristas, declarados pobres na forma da lei, residentes e domiciliados na cidade de São Paulo/SP, vêm, respeitosamente, à presença de Vossa Senhoria, por intermédio de seu advogado infra-assinado, com fundamento no art. 5º, XXXV da CF/88, apresentar a presente IMPUGNAÇÃO à multa administrativa no valor de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) e à apreensão de mercadorias, conforme os fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos.

DOS FATOS

Os requerentes, motoristas autônomos, foram surpreendidos com a apreensão de mercadorias que transportavam, bem como com a imposição de multa administrativa no valor exorbitante de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) pela Receita Federal. A autuação ocorreu sob a alegação de suposta irregularidade na documentação fiscal das mercadorias transportadas.

Os requerentes, entretanto, não possuem qualquer ingerência sobre a emissão de notas fiscais, sendo apenas responsáveis pelo transporte das mercadorias. Além disso, a aplicação da multa desconsidera a condição financeira dos requerentes, que são pessoas humildes e declaradas pobres na forma da lei.

Ademais, a apreensão das mercadorias e a imposição da multa foram realizadas sem a devida observância dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, configurando evidente abuso de poder por parte da administração pública.

DO DIREITO

Conforme o art. 5º, LV da CF/88, é assegurado aos litigantes em processo administrativo o direito ao contraditório e à ampla defesa. No presente caso, a apreensão das mercadorias e a aplicação da multa foram realizadas sem que os requerentes tivessem a oportunidade de se manifestar previamente, o que viola frontalmente os referidos princípios constitucionais.

Além disso, o art. 37 da CF/88 estabelece que a administração pública deve obedecer aos princípios da legalidade, moralidade, publicidade e eficiência. A conduta da Receita Federal, ao impor multa desproporcional e apreender mercadorias de forma arbitrária, contraria tais princípios.

O Código Tributário Nacional (CTN), em seu art. 112, determina que, em caso de dúvida quanto à aplicação de penalidades, deve-se adotar a interpretação mais favorável ao contribuinte. No presente caso, a ausência de dolo ou má-fé por parte dos requerentes, que são apenas transportadores, torna desproporcional a aplicação da multa e a apreensão das mercadorias.

JURISPRUDÊNCIAS

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Legislação e Jurisprudência sobre o tema
Informações complementares

Simulação de Voto

Relatório

Trata-se de impugnação à apreensão de mercadorias e à aplicação de multa administrativa no valor de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), apresentada pelos requerentes R. J. dos S. e M. F. da S., transportadores autônomos, com fundamento no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal de 1988.

Os requerentes alegam que a apreensão das mercadorias e a multa decorrem de autuação realizada sem observância dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, além de sustentarem que a penalidade é desproporcional à sua condição financeira e ao papel que desempenham como transportadores.

Voto

Inicialmente, cumpre destacar que, conforme o art. 93, IX, da Constituição Federal de 1988, todas as decisões judiciais devem ser devidamente fundamentadas. Assim, passo à análise hermenêutica entre os fatos e os fundamentos legais e constitucionais apresentados.

Análise dos Fatos

Os requerentes, na qualidade de transportadores autônomos, foram autuados pela Receita Federal sob a alegação de irregularidade na documentação fiscal das mercadorias transportadas. Ressalta-se que os requerentes não possuem ingerência sobre a emissão de notas fiscais, sendo responsáveis exclusivamente pelo transporte das mercadorias.

Ademais, a apreensão das mercadorias e a aplicação de multa no valor de R$ 5.000.000,00 foram realizadas sem que os requerentes tivessem oportunidade de apresentar defesa prévia, em aparente violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa previstos no art. 5º, LV, da Constituição Federal.

Fundamentos Constitucionais

Conforme o art. 5º, LV, da CF/88, é assegurado aos litigantes, tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, o contraditório e a ampla defesa. A ausência de oportunidade de defesa antes da autuação configura vício de legalidade, uma vez que viola diretamente tais princípios fundamentais.

Além disso, o art. 37 da Constituição Federal exige que a administração pública observe os princípios da legalidade, moralidade, publicidade e eficiência. A aplicação de multa desproporcional e a apreensão de mercadorias sem análise da boa-fé dos requerentes contrariam tais princípios, especialmente o da razoabilidade.

Fundamentos Legais

O Código Tributário Nacional, em seu art. 112, determina que, em caso de dúvida quanto à aplicação de penalidades, deve-se adotar a interpretação mais favorável ao contribuinte. No caso em questão, a ausência de dolo ou má-fé dos requerentes, transportadores que não emitem as notas fiscais, exige a revisão da penalidade aplicada.

Jurisprudência Aplicável

Destaco jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que reforça o entendimento de que a administração pública deve observar a proporcionalidade e a razoabilidade na imposição de penalidades:

"Embora a presunção de legitimidade do ato administrativo prevaleça até prova em contrário, a administração pública deve observar os requisitos legais para a imposição de penalidades, incluindo a proporcionalidade e a razoabilidade." (TJSP, Agravo de Instrumento Acórdão/TJSP, Rel.: Des. Joel Birello Mandelli, julgado em 16/01/2025)

Conclusão

Diante do exposto, entendo que a apreensão das mercadorias e a aplicação de multa no valor de R$ 5.000.000,00 são nulas, pois não respeitaram os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da razoabilidade. Ademais, não houve comprovação de dolo ou má-fé por parte dos requerentes, transportadores autônomos, o que reforça a desproporcionalidade da penalidade.

Dispositivo

Ante o exposto, julgo procedente o pedido para reconhecer a nulidade da apreensão das mercadorias e da multa administrativa aplicada, determinando:

  1. A imediata devolução das mercadorias apreendidas;
  2. O cancelamento da multa administrativa imposta no valor de R$ 5.000.000,00;
  3. A concessão dos benefícios da justiça gratuita aos requerentes, nos termos do art. 98 do CPC/2015.

É como voto.

Termos Finais

São Paulo, [data].

[Nome do Magistrado]

Juiz de Direito


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