Modelo de Recurso Administrativo ao INSS contra Indeferimento de Benefício por Incapacidade de Segurado Portador de Esquizofrenia (CID-F.20.6), com Fundamentação em Princípios Constitucionais e Previdenciários

Publicado em: 02/11/2024 Direito Previdenciário
Modelo de recurso administrativo apresentado ao INSS visando a revisão do indeferimento de benefício por incapacidade (auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez) para segurado diagnosticado com esquizofrenia (CID-F.20.6). O documento detalha os fatos, identifica as partes envolvidas (segurado e INSS), fundamenta o pedido com base na legislação previdenciária (Lei 8.213/91), nos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e proteção social (CF/88), e apresenta jurisprudência correlata. O modelo requer nova perícia médica especializada, intimação do recorrente para acompanhar os atos, e o pagamento retroativo das parcelas devidas. Indicado para situações em que o segurado apresenta incapacidade total e permanente para o trabalho decorrente de transtorno mental grave, e busca garantir seus direitos junto à Previdência Social.

RECURSO ADMINISTRATIVO CONTRA INDEFERIMENTO DE BENEFÍCIO POR INCAPACIDADE – PORTADOR DE ESQUIZOFRENIA (CID-F.20.6)

1. ENDEREÇAMENTO

Ao Ilustríssimo Senhor Presidente do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS
Por intermédio da Agência da Previdência Social de [indicar município]
Para posterior remessa ao Egrégio Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS

2. IDENTIFICAÇÃO DAS PARTES

Recorrente: A. J. dos S., brasileiro, solteiro, auxiliar de serviços gerais, portador do CPF nº 123.456.789-00, RG nº 12.345.678 SSP/XX, endereço eletrônico: [email protected], residente e domiciliado à Rua das Flores, nº 100, Bairro Centro, Município de [indicar cidade], Estado [indicar UF], CEP 12345-678.
Recorrido: Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, CNPJ nº 29.979.036/0001-40, com sede na Rua dos Previdenciários, nº 200, Bairro Administrativo, Município de Brasília, Distrito Federal, endereço eletrônico: [email protected].

3. SÍNTESE DOS FATOS

O Recorrente é segurado do Regime Geral de Previdência Social e, em razão do diagnóstico de esquizofrenia (CID-F.20.6), requereu junto ao INSS o benefício por incapacidade, na modalidade de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, conforme a gravidade do quadro clínico. O pedido foi protocolado em [data do requerimento].

Após realização de perícia médica administrativa, o benefício foi indeferido sob o fundamento de ausência de incapacidade laborativa. Contudo, o Recorrente apresenta quadro psiquiátrico grave, com sintomas persistentes e incapacitantes, conforme laudos médicos particulares anexados ao processo administrativo.

Ressalte-se que o Recorrente encontra-se impossibilitado de exercer suas atividades laborais habituais, em razão dos sintomas psicóticos, desorganização do pensamento, isolamento social e prejuízo global do funcionamento, elementos característicos da esquizofrenia.

Diante do indeferimento, o Recorrente interpõe o presente Recurso Administrativo, visando a concessão do benefício por incapacidade, com fundamento nos fatos e no direito a seguir expostos.

4. DOS FUNDAMENTOS DO RECURSO

O indeferimento do benefício por incapacidade revela-se injusto e contrário à legislação previdenciária, pois não considerou adequadamente a gravidade do quadro clínico do Recorrente.

A esquizofrenia (CID-F.20.6) é doença psiquiátrica crônica, de evolução imprevisível, que frequentemente acarreta incapacidade total e permanente para o trabalho, conforme reconhecido em diversos precedentes judiciais e administrativos.

O laudo médico particular, anexado ao processo, atesta que o Recorrente apresenta sintomas persistentes de delírios, alucinações, comportamento desorganizado e prejuízo significativo do funcionamento social e ocupacional, impossibilitando-o de exercer qualquer atividade laboral.

O princípio da dignidade da pessoa humana (CF/88, art. 1º, III) e o direito à proteção social (CF/88, art. 6º) impõem ao Estado o dever de amparar o segurado acometido por doença incapacitante, garantindo-lhe condições mínimas de subsistência.

Ademais, o indeferimento contraria o princípio da boa-fé objetiva (CCB/2002, art. 422), pois o Recorrente sempre contribuiu regularmente para a Previdência Social e faz jus ao benefício previsto em lei.

Por fim, destaca-se que a análise administrativa deve ser pautada na proteção integral do segurado, especialmente em casos de doenças graves e incapacitantes, como a esquizofrenia, sob pena de violação ao princípio da legalidade (CF/88, art. 5º, II) e ao direito fundamental à saúde (CF/88, art. 196).

5. DO DIREITO

O benefício por incapacidade está disciplinado na Lei 8.213/91, que prevê:

- Auxílio-doença: Lei 8.213/91, art. 59 – devido ao segurado que ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos.
- Aposentadoria por incapacidade permanente: Lei 8.213/91, art. 42 – devida ao segurado que, estando ou não em gozo de auxílio-doença, for considerado incapaz e insusceptível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta subsistência.

O INSS deve observar, para concessão do benefício, a existência de: (i) qualidade de segurado; (ii) carência, quando exigida; (iii) incapacidade para o trabalho.

O Recorrente preenche todos os requisitos legais, conforme documentação médica e histórico contributivo.

Ressalta-se que o"'>...

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Informações complementares

Simulação de Voto

Voto do Magistrado

I. Relatório

Trata-se de Recurso Administrativo interposto por A. J. dos S. em face do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, contra decisão que indeferiu benefício por incapacidade (auxílio-doença ou aposentadoria por incapacidade permanente), ao argumento de ausência de incapacidade laborativa, mesmo diante do diagnóstico de esquizofrenia (CID-F.20.6), sustentado por laudos médicos particulares.

Alega o Recorrente que padece de sintomas graves e persistentes, impossibilitando o exercício de atividades laborais, e que o indeferimento do benefício afronta não apenas a legislação previdenciária, mas também princípios constitucionais e a dignidade da pessoa humana.

II. Fundamentação

1. Da Obrigação de Fundamentação (CF/88, art. 93, IX)

Nos termos do artigo 93, IX, da Constituição Federal de 1988, todas as decisões judiciais devem ser fundamentadas, sob pena de nulidade. Assim, passo à análise dos fatos e do direito.

2. Dos Fatos e da Prova

O Recorrente é segurado do Regime Geral de Previdência Social e apresentou requerimento administrativo para concessão de benefício por incapacidade, instruído por laudos médicos que atestam quadro grave de esquizofrenia, com prejuízo global do funcionamento psíquico e social.

Embora a perícia médica administrativa tenha concluído pela ausência de incapacidade laborativa, observa-se dos documentos particulares acostados aos autos que o Recorrente apresenta sintomas persistentes, como delírios, alucinações e desorganização do pensamento, que inviabilizam o desempenho de atividade laboral.

3. Do Direito

A Constituição Federal, em seu artigo 1º, inciso III, consagra a dignidade da pessoa humana, princípio que orienta todo o sistema de proteção social estabelecido no artigo 6º, bem como o direito fundamental à saúde (art. 196).

A Lei 8.213/91 prevê:
- Auxílio-doença (art. 59): devido ao segurado incapacitado para o trabalho por mais de 15 dias consecutivos.
- Aposentadoria por incapacidade permanente (art. 42): devida ao segurado considerado incapaz e insusceptível de reabilitação para atividade que lhe garanta subsistência.

Para concessão do benefício, exige-se: (i) qualidade de segurado; (ii) carência, quando exigida; (iii) incapacidade para o trabalho. No caso, os dois primeiros requisitos restam preenchidos. Quanto à incapacidade, a controvérsia reside na análise dos elementos probatórios.

4. Da Jurisprudência

“Diagnóstico de psicose esquizofreniforme, associada a transtorno depressivo recorrente e ansiedade - Perícia: Incapacidade total e permanente caracterizada. [...] Pedido julgado procedente para condenar a Autarquia ao pagamento de aposentadoria por invalidez previdenciária comum.”
TJSP, Apelação Acórdão/TJSP, Rel. Des. Marcos Fleury, julgado em 07/01/2025

A jurisprudência majoritária é firme no sentido de que, comprovada a incapacidade para o trabalho, é devido o benefício previdenciário, independentemente de nexo causal com as atividades laborativas, quando se tratar de benefício comum.

5. Da Proteção Social e da Boa-fé

O indeferimento do benefício, à luz da documentação médica idônea e da gravidade da enfermidade, viola os princípios da dignidade da pessoa humana e da proteção social, além do dever de boa-fé objetiva (CC/2002, art. 422).

A Administração Pública, em respeito à legalidade (CF/88, art. 5º, II) e ao princípio da proteção integral, deve propiciar ao segurado incapacitado o acesso ao benefício, sobretudo diante de doença psiquiátrica grave como a esquizofrenia.

III. Dispositivo

Diante do exposto, em análise hermenêutica dos fatos e fundamentos jurídicos apresentados, CONHEÇO do Recurso Administrativo e DOU-LHE PROVIMENTO para determinar:

  1. A concessão do benefício por incapacidade na modalidade de auxílio-doença (Lei 8.213/91, art. 59), ou, se constatada incapacidade permanente em nova perícia, aposentadoria por incapacidade permanente (art. 42), com efeitos financeiros desde a data do requerimento administrativo;
  2. A realização de nova perícia médica, preferencialmente por junta composta por psiquiatras, para melhor avaliação do quadro clínico do Recorrente;
  3. O pagamento das parcelas vencidas, corrigidas monetariamente e acrescidas de juros legais, caso deferido o benefício;
  4. A intimação das partes para acompanhamento dos atos processuais e produção de outras provas admitidas em direito, especialmente prova pericial médica e documental.

Publique-se. Cumpra-se.

IV. Conclusão

É como voto.

[Município], [data].


___________________________________
Magistrado(a)

Fundamentação nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal/88.


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