Modelo de Resposta à Acusação com Pedido de Absolvição Sumária e Aplicação do Princípio da Insignificância em Ação Penal de Furto Tentado

Publicado em: 06/09/2024 Processo Civil Direito Penal Processo Penal
Apresentação de resposta à acusação pelo réu Jonas da Silva, acusado de furto tentado (art. 155, caput, c/c art. 14, inciso II, do Código Penal), nos autos da ação penal movida pelo Ministério Público perante a 4ª Vara Criminal da Comarca de Santa Inês/MA. A peça fundamenta a ausência de justa causa para a ação penal, pleiteando a absolvição sumária com base no princípio da insignificância, invocando a excludente de ilicitude por estado de necessidade (art. 24 do CP) e a nulidade processual por violação ao contraditório e ampla defesa. Inclui jurisprudências relevantes e requerimentos subsidiários de correção de nulidades processuais.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE SANTA INÊS/MA

Processo nº: [inserir número do processo]

Data: 18 de setembro de 2024

JONAS DA SILVA, brasileiro, solteiro, desempregado, portador do CPF nº [inserir], residente e domiciliado na Rua [inserir], Santa Inês/MA, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, conforme instrumento de procuração anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no art. 396-A do Código de Processo Penal (CPP), apresentar:

RESPOSTA À ACUSAÇÃO

nos autos da ação penal movida pelo Ministério Público, em razão da denúncia oferecida pela prática do crime tipificado no art. 155, caput, combinado com o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:

PREÂMBULO

A presente peça tem como objetivo demonstrar a ausência de justa causa para a continuidade da ação penal, com base em teses de direito material e processual, requerendo, ao final, a absolvição sumária do acusado, nos termos do art. 397 do CPP, ou, subsidiariamente, a aplicação do princípio da insignificância.

DOS FATOS

Conforme narrado na denúncia, no dia 10 de junho de 2024, o acusado, JONAS DA SILVA, desempregado e pai de uma criança de 2 anos, em situação de extrema dificuldade financeira, subtraiu uma lata de leite no valor de R$ 20,00 (vinte reais) de uma farmácia localizada no centro da cidade de Santa Inês/MA. Ao tentar sair do estabelecimento sem pagar, foi abordado por um funcionário após o disparo do alarme antifurto. A lata de leite foi imediatamente devolvida, sem qualquer dano.

Jonas confessou o ocorrido na delegacia, alegando que agiu em desespero para alimentar sua filha. Não possui antecedentes criminais e respondeu ao processo em liberdade provisória, concedida em audiência de custódia.

DO DIREITO

I. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 155 DO CÓDIGO PENAL

O acusado foi denunciado pela prática de furto tentado (CP, art. 155, combinado com o art. 14, inciso II). Contudo, a conduta de Jonas não preenche os requisitos para a configuração do delito, considerando a ausência de lesividade relevante ao bem jurídico tutelado.

O princípio da insignificância, amplamente reconhecido pela doutrina e jurisprudência, é aplicável ao caso, pois estão presentes os seus requisitos: (i) mínima ofensividade da conduta; (ii) ausência de periculosidade social; (iii) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e (iv) inexpressividade da lesão jurídica.

O valor do bem subtraído (R$ 20,00) é ínfimo, e a lata de leite foi devolvida intacta. Ademais, o acusado agiu em estado de necessidade, conforme previsto no CP, art. 24, buscando suprir a fome de sua filha.

II. DA NULIDADE DO PROCESSO

Conforme entendimento consolidado, a ausência de apresentação de resposta à acusação antes "'>...

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Legislação e Jurisprudência sobre o tema
Informações complementares

Simulação de Voto

Relatório

Trata-se de ação penal em que Jonas da Silva, denunciado pela prática do crime previsto no artigo 155, caput, combinado com o artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal, foi acusado de tentativa de furto de uma lata de leite no valor de R$ 20,00 (vinte reais). Os fatos ocorreram no dia 10 de junho de 2024, em uma farmácia na cidade de Santa Inês/MA. O acusado, em situação de vulnerabilidade social, agiu para alimentar sua filha de dois anos.

Após a denúncia e a instrução processual, os autos foram remetidos a este juízo para prolação da sentença.

Fundamentação

Compulsando os autos, verifico que a denúncia narra, de forma clara e objetiva, os fatos que embasam a acusação. Todavia, ao analisar o mérito da conduta imputada ao réu, entendo que a ação penal não deve prosperar pelos fundamentos que passo a expor.

1. Da Aplicação do Princípio da Insignificância

O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça têm consolidado o entendimento de que o princípio da insignificância é aplicável ao Direito Penal, desde que atendidos os seguintes requisitos: (i) mínima ofensividade da conduta; (ii) ausência de periculosidade social; (iii) reduzido grau de reprovabilidade; e (iv) inexpressividade da lesão jurídica.

No caso em tela, os requisitos estão presentes. O objeto do furto, uma lata de leite avaliada em R$ 20,00, foi devolvido intacto ao proprietário, não havendo qualquer prejuízo material. Além disso, o acusado agiu em razão de extrema necessidade, buscando suprir a fome de sua filha, o que denota a ausência de periculosidade social ou reprovabilidade acentuada.

2. Da Excludente de Ilicitude: Estado de Necessidade

O artigo 24 do Código Penal prevê que não há crime quando o agente pratica o fato em estado de necessidade, para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício não era razoável exigir.

Jonas, desempregado e responsável pelo sustento de sua filha menor de idade, agiu em situação de desespero para garantir a subsistência básica de sua família. Tal contexto caracteriza, de forma inequívoca, o estado de necessidade, excluindo a ilicitude de sua conduta.

3. Da Ausência de Justa Causa

No presente caso, consta que Jonas não possui antecedentes criminais e que sua conduta não causou prejuízo efetivo ao bem jurídico tutelado. Dessa forma, a continuidade da ação penal configura afronta ao princípio da intervenção mínima do Direito Penal, que deve ser reservado para situações de maior gravidade.

Assim, reconheço a ausência de justa causa para o prosseguimento da presente ação penal, com fundamento no artigo 395, inciso III, do Código de Processo Penal.

Decisão

Ante o exposto, com fundamento no artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal de 1988, nos artigos 395, inciso III, e 397, incisos II e III, do Código de Processo Penal, e no artigo 24 do Código Penal, voto pela procedência do pedido de absolvição sumária de Jonas da Silva, sob os seguintes fundamentos:

  1. Aplicação do princípio da insignificância, considerando a inexpressividade da lesão jurídica;
  2. Reconhecimento do estado de necessidade, nos termos do artigo 24 do Código Penal;
  3. Ausência de justa causa para a continuidade da ação penal.

Por fim, determino a extinção do feito com resolução de mérito e a consequente baixa nos registros judiciais. Oficie-se ao Ministério Público para ciência da decisão e arquivamento dos autos.

Termos Finais

Assim decido, fundamentado na Constituição Federal e nas normas infraconstitucionais aplicáveis, em especial o artigo 93, inciso IX, da CF/88, que exige decisões fundamentadas. Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Santa Inês/MA, 18 de setembro de 2024.

[NOME DO MAGISTRADO]
Juiz de Direito
4ª Vara Criminal da Comarca de Santa Inês/MA


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