44 - TJRJ AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA DE URGÊNCIA. PLANO DE SAÚDE. AUTOR DIAGNOSTICADO COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA). PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO/CUSTEIO DE TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR. DECISÃO QUE DEFERIU A TUTELA DE URGÊNCIA PARA DETERMINAR À RÉ CUSTEIE A REALIZAÇÃO DE TODOS TRATAMENTOS E TERAPIAS NECESSÁRIAS AO TRATAMENTO DO AUTOR (FONOAUDIOLOGIA, PSICOLOGIA, TERAPIA OCUPACIONAL E ASSISTENTE TERAPÊUTICO, COM SUPERVISÃO DE PSICÓLOGA COM CERTIFICAÇÃO EM A.B.A). RECURSO DA PARTE RÉ QUE ALEGA, APENAS, QUE O CUSTEIO DO ASSISTENTE TERAPÊUTICO EM AMBIENTE NATURAL DA CRIANÇA NÃO ESTÁ PREVISTO NO CONTRATO DO PLANO DE SAÚDE, RAZÃO PELA QUAL TAL TRATAMENTO DEVE SER EXCLUÍDO. O RECURSO NÃO MERECE PROSPERAR.
PRESENÇA DOS PRESSUPOSTOS PARA A CONCESSÃO DA TUTELA DE URGÊNCIA, NA FORMA DO
CPC/2015, art. 300. OS DOCUMENTOS QUE INSTRUEM A INICIAL EVIDENCIAM A PROBABILIDADE DO DIREITO E O PERIGO DE DANO IRREPARÁVEL. O LAUDO MÉDICO ATESTA QUE O AUTOR, ATUALMENTE COM CINCO ANOS DE IDADE, PORTADOR DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA, NECESSITA DE TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR. A
LEI 12.764/12, QUE INSTITUI A POLÍTICA NACIONAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS DA PESSOA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA, GARANTE AO PORTADOR DESSA CONDIÇÃO O ACESSO AO TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR PARA FINS DE SOCIALIZAÇÃO E REDUÇÃO DE SINTOMAS COMO AGITAÇÃO, IMPULSIVIDADE E AGRESSIVIDADE. INTERVENÇÃO PRECOCE ALTERA O PROGNÓSTICO E SUAVIZA OS SINTOMAS. A TERAPIA ORA IMPUGNADA, ASSISTÊNCIA TERAPÊUTICA, COMPÕE O MÉTODO «ABA, CONFORME INDICADO NO LAUDO MÉDICO, E É DESEMPENHADA POR PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE COM SUPERVISÃO DE PSICÓLOGA, RAZÃO PELA QUAL NÃO SE JUSTIFICA A SUA EXCLUSÃO. A DECISÃO RECORRIDA SEQUER DETERMINA QUE O TRATAMENTO SEJA REALIZADO EM AMBIENTE NATURAL DA CRIANÇA. A OPERADORA DEVE OFERECER ATENDIMENTO POR PRESTADOR CAPACITADO A APLICAR O MÉTODO OU TÉCNICA INDICADOS PELO MÉDICO ASSISTENTE PARA TRATAR A DOENÇA DO PACIENTE, ENQUADRADA NO CID F84 (AUTISMO). DIVERGÊNCIA QUANTO À TAXATIVIDADE DO ROL DA ANS QUE ESTÁ SUPERADA DIANTE DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI 14.454/22, QUE ALTEROU A
LEI 9.656/1998 E ESTABELECEU, EM SEU ART. 10, § 12, QUE O ROL DA ANS CONSTITUI APENAS REFERÊNCIA BÁSICA DE SERVIÇOS E COBERTURA PARA PLANOS DE SAÚDE PRIVADOS CONTRATADOS A PARTIR DE 1º DE JANEIRO DE 1999, DEVENDO SER AUTORIZADOS TRATAMENTOS NÃO PREVISTOS, DESDE QUE ATENDIDAS AS CONDIÇÕES ELENCADAS NOS INCISOS DO § 13, ORA VERIFICADAS. A TUTELA, ADEMAIS, NÃO É IRREVERSÍVEL, JÁ QUE, PARA A RÉ, A CONSEQUÊNCIA É DE NATUREZA EXCLUSIVAMENTE PATRIMONIAL, SENDO POSSÍVEL O RESSARCIMENTO NOS PRÓPRIOS AUTOS EM CASO DE POSTERIOR IMPROCEDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO
CPC, art. 302. DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO É TERATOLÓGICA NEM CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS. APLICAÇÃO DA
SÚMULA 59/TJRJ. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. RECURSO DESPROVIDO.